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Brasil vive dia de manifestações e registra primeira morte; Cobertura completa

capa com folego mas triste

Motorista tenta furar bloqueio feito por manifestantes, atropela e mata jovem em Ribeirão Preto

Fotos: José Cruz/ABr

Aline Leal, Sabrina Craide e Wellton Máximo /Repórteres da Agência Brasil

Brasília – As manifestações pela redução das passagens do transporte público, contra os gastos com as obras da Copa do Mundo e pelo aumento dos recursos para a saúde e educação atingem várias cidades do país.

Além do Rio de Janeiro, de São Paulo e Brasília, os protestos ocorrem também em Salvador, onde foram registrados atos de vandalismo por parte de um pequeno grupo de pessoas, segundo informou a Secretaria de Segurança Pública da Bahia, por meio da assessoria de imprensa. Eles depredaram pontos de ônibus, ônibus, placas de sinalização e banheiros químicos.

Policiais do Batalhão tiveram de usar bombas de gás para dispersar os manifestantes. Um policial militar ficou ferido e foi atendido no local.

A manifestação na capital baiana começou de forma pacífica, por volta das 16h, reunindo cerca de 20 mil pessoas no centro da cidade, segundo a Polícia Militar (PM). O grupo se dirigiu para as proximidades da Arena Fonte Nova, onde jogavam as seleções da Nigéria e do Uruguai pela Copa das Confederações.

Em nota, o prefeito de Salvador ACM Neto lamentou a destruição de equipamentos públicos e privados por um pequeno grupo de vândalos. “A maioria das pessoas que foi às ruas se manifestar fez de forma ordeira e pacífica. A manifestação faz parte da democracia e é plenamente aceita, devendo ser entendida por todos. O lamentável é a ação dos radicais”, disse.

No Recife, de acordo com a Polícia Militar, a manifestação reúne cerca 52 mil pessoas. Inicialmente, a Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco informou que 100 mil pessoas estavam nas ruas, mas o número foi revisado para baixo.

De acordo com a PM, apesar de registros de pequenos incidentes, o protesto segue tranquilo, sem ocorrências de depredações. Parte dos manifestantes, está na Assembleia Legislativa do estado e outra parte segue para o Marco Zero, no centro histórico da cidade.

Em Teresina, de acordo com o coronel José Fernandes, da PM, a manifestação foi pacífica. Cerca de 13 mil manifestantes, segundo a PM, caminharam pela Avenida Frei Serafim e se concentraram em frente ao Palácio de Karnak, a sede do governo piauiense.

Em Fortaleza, de acordo com a estudante e uma das organizadoras dos protestos Camila Marreiro, a manifestação começou na Praça Portugal e segue, em passeata, rumo ao Palácio da Abolição, sede do governo cearense. No Maranhão, o protesto se dirige para o Palácio dos Leões.


Polícia confirma morte de jovem em manifestação em Ribeirão Preto

Bruno Bocchini/Repórter da Agência Brasil

São Paulo – A Polícia Militar (PM) de São Paulo confirmou a morte de um jovem por atropelamento em meio à manifestação que ocorria hoje (20) em Ribeirão Preto (SP). O acidente ocorreu no cruzamento das avenidas João Fiúza e Adolfo Molina.

Pelo vídeo disponibilizado pela PM no Twitter da corporação é possível ver que o motorista, que dirigia um utilitário, tentou furar o bloqueio feito pelos manifestantes no local. Após o motorista discutir com alguns ativistas, são ouvidos barulhos de pancadas na lataria do carro. Após isso, o carro avança violentamente sobre os manifestantes, deixando vários feridos e um morto.

Em São Paulo, onde a manifestação reuniu cerca de 100 mil pessoas segundo PM, apenas um incidente grave ocorreu durante a passeata: um conflito entre membros de um partido político e um grupo supostamente de extrema direita. Uma pessoa saiu ferida e foi socorrida pela PM.


Brasileiros usam cartazes e faixas para expressar reivindicações

Da Agência Brasil

Brasília - Nos protestos por todo o país hoje (20), os manifestantes têm mostrado, com criatividade, em cartazes e faixas suas reivindicações plurais, insatisfações e anseios. Na capital federal, os brasilienses pediram "Reforma política Já" e respeito aos direitos dos animais. Os manifestantes também pedem paz e que a polícia não use balas de borracha.

Os manifestantes  protestam contra a corrupção no país e a Proposta de Emenda à Constituição 37 (PEC 37), que limita o poder de investigação do Ministério Público. Um dos cartazes dizia "Ou para a roubalheira ou paramos o Brasil". Em Brasília, o protesto reuniu mais de 20 mil pessoas em frente ao Congresso Nacional, segundo estimativa da Polícia Militar. Os manifestantes ocuparam o gramado de forma pacífica, porém um pequeno grupo invadiu o Palácio do Itamaraty e promoveu um quebra-quebra no prédio.

Em São Paulo, cerca de 100 mil pessoas, conforme a Polícia Militar, ocuparam a Avenida Paulista. Os protestos na capital paulista contra o reajuste da tarifa do transporte público incentivaram as manifestações no restante do país. Após a manifestação popular, a prefeitura e o governo de São Paulo anunciaram a revogação do aumento das passagens do transporte coletivo. No ato de hoje, os paulistanos carregam cartazes pedindo uma "Uma vida sem catraca" além de justiça e liberdade de expressão. No meio da multidão, um grupo com rosto pintado de verde e amarelo expressava suas reivindicações usando nariz de palhaço.

No Rio de Janeiro, os cariocas voltaram às ruas e ocuparam o centro da cidade. Um manifestante estampava a frase "Nossa Arma" em um cartaz que representava um título de eleitor. Outros pediam mais investimento na educação: "Educação merece respeito. Salário de fome". Um manifestante pintou o corpo com as cores da Bandeira do Brasil e segurava um cartaz com a frase: "Educação padrão Fifa". Nos protestos, os participantes têm criticado os gastos públicos com as obras das copas da Confederação e do Mundo de 2014, como a construção dos estádios que atenderam às exigências da FederaçãoInternacional de Futebol (Fifa).



 

Cerca de 20 mil participam do 5º dia de manifestações em Belo Horizonte

BRASIL BH MG
Manifestacao nas ruas de belo horizonte manifestantes saem da praca sete em direcao a camara dos vereadores
FOTOS: MARIELA GUIMARAES / O TEMPO  20.6.2013

O quinto dia de manifestação em Belo Horizonte começou no fim da tarde desta quinta-feira (20), na praça Sete. Aproximadamente 20 mil pessoas, sendo a maioria jovem, se concentraram e, depois, se espalharam, seguindo para diferentes pontos da cidade.

Por volta das 20h, a passeata seguiu rumo a Câmara Municipal de Belo Horizonte, na avenida dos Andradas, para protestar contra os salários dos vereadores. Durante a passagem pela avenida Brasil, área que concentra vários hospitais, os participantes ficaram em silêncio. No entanto, um grupo isolado chegou a danificar a fachada de uma agência bancária da região. De acordo com a Polícia Militar (PM), ninguém foi preso pela depredação.

Às 22h, a maioria dos manifestantes retornou à praça Sete onde, segundo estimativas da PM, cerca de 2.000 ainda permaneciam reunidos em torno do obelisco no fim da noite. Dos prédios no entorno, pessoas balançaram panos nas janelas e piscaram as luzes em apoio ao manifesto. Um homem foi detido por soltar um foguete no meio da multidão e uma mulher foi presa por vender drogas no quarteirão fechado da rua Rio de Janeiro. Até às 0h, o trânsito seguia interditado no local, conforme a BHTrans.

Os manifestantes chegaram por volta das 15h no hipercentro, com cartazes e cantando o hino nacional, e interditaram totalmente o trânsito, entre a rua Tamoios e a praça Rio Branco (praça da Rodoviária). No começo, eles protestaram contra o anúncio do prefeito Marcio Lacerda de reduzir a passagem de R$ 2,80 para R$ 2,75, apenas R$ 0,05.

No evento criado no Facebook, mais de 43 mil pessoas confirmaram presença na manifestação desta quinta. A Polícia Militar acompanhou toda a ação e, ao contrários de outros dias, até o fim da noite não havia registro de ocorrências graves.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Sindicato dos Servidores Públicos de Belo Horizonte (Sindibel), o Levante Popular da Juventude e o Movimento dos Trabalhadores Desempregados também estiveram nas ruas da capital nesta quinta. Por meio de nota, esses grupos informaram que os protestos representam "um grito de indignação de um povo historicamente excluído da vida política nacional e acostumado a enxergar a política como algo danoso à sociedade".

Esses quatro movimentos informaram também que vão às ruas principalmente para reivindicar pela redução imediata das tarifas do transporte público, já que consideram que a redução anunciada pelo prefeito está aquém do necessário; redução das tarifas de energia em Minas Gerais; e para que o Estado destine que 10% do PIB do país para a educação.

Metrô
Populares que tentaram fugir do congestionamento provocado pelo protesto e optaram pelo metrô, encontraram dificuldades para embarcar. De acordo com a assessoria de imprensa da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), o transporte está funcionando normalmente e, por causa da manifestação, o intervalo entre as viagens foi reduzido e o número de trens aumentado para atender os passageiros. Durante esta semana, o número de usuários aumentou devidos aos protestos e aos eventos realizados no praça da Estação durante a Copa das Confederações.  

Protesto no próximo sábado
A manifestação que ganhou o nome de “O Gigante Acordou” já conta com a confirmação de mais de 109 mil pessoas. O ato acontece neste sábado (22), às 14, na praça Sete. Nesta sexta está prevista uma manifestação no Barreiro.

O TEMPO


Após dia de protestos em todo o país, Dilma terá reunião com ministro da Justiça
 
Luana Lourenço/Repórter da Agência Brasil

Brasília - A presidenta Dilma Rousseff vai se reunir amanhã (21) com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e deverá discutir as manifestações que tomam as ruas do país. A reunião está marcada para as 9h30 no Palácio do Planalto e pode reunir outros ministros do governo.

Dilma cancelou a viagem que faria ao Japão no próximo domingo devido à onda de protestos. Segundo a Secretaria de Comunicação da Presidência da República, ela preferiu não se ausentar do Brasil por quase uma semana diante do cenário de movimentação popular.

Em um dia marcado por protestos em todo o país, Dilma permaneceu no Palácio do Planalto. O prédio teve a segurança reforçada no começo da noite, depois que manifestantes que estavam no Congresso Nacional tentaram se aproximar da sede do Executivo. Homens do Batalhão de Choque do Exército seguem a postos em torno do edifício.

Dilma deixou o Palácio do Planalto por volta das 20h30, com o esquema de segurança habitual, que inclui batedores e uma unidade de terapia intensiva (UTI) móvel.

As manifestações são acompanhadas no Planalto pela Secretaria-Geral da Presidência, responsável no governo pela articulação com movimentos da sociedade civil. O secretário executivo da pasta, Diogo de Sant’ana, recebeu hoje de manifestantes um documento com reivindicações dirigidas à presidenta Dilma. O grupo pede uma reunião entre o governo e vários grupos que organizam os protestos Brasil afora.

 

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Tendas do Samu na Esplanada dos Ministérios atendem a 31 manifestantes, três em estado grave

Mariana Jungmann/Repórter da Agência Brasil

Brasília – Duas tendas de atendimento médico montadas pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) nas proximidades do Congresso Nacional atenderam a 31 pessoas que participaram da manifestação. De acordo com o Samu, a maior parte delas apresentavam problemas de mal súbito e de intoxicação por gás de pimenta ou lacrimogêneo.

Onze casos necessitaram de remoção para hospitais da cidade a fim de atendimento mais especializado. Desses, segundo o Samu, três foram considerados graves. Um manifestante foi atingido no olho e apresentava traumatismo facial com possível comprometimento ocular, correndo risco de perder o olho. O Samu não soube dizer se o ferimento foi causado por bala de borracha, pedra o outro objeto contundente.

Em mais um caso grave, uma pessoa apresentava traumatismo craniano. Os médicos do Samu localizaram uma bala de borracha presa no crânio. Ela foi levada para um hospital a fim de passar por uma cirurgia para a retirada do projétil. Também teve que ser transferido para um hospital, devido à gravidade do ferimento, um manifestante com um corte na perna. Ele estava com hemorragia intensa. De acordo com o Samu, esses casos foram registrados antes da tentativa de invasão do Palácio do Itamaraty.

Ao todo, o Samu trabalhou com 140 profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem. Além de 30 ambulâncias e 16 motolância. As tendas de atendimento foram montadas perto do Ministério da Justiça e do Anexo 1 da Câmara dos Deputados.


Polícia volta a usar bomba de gás para dispersar protesto em Brasília

Luciano Nascimento/Repórter da Agência Brasil

Brasília - A Polícia Militar voltou a usar bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes que continuavam protestando em frente ao Congresso Nacional, por volta de dez da noite desta quinta (20). Houve corre-corre e uma cortina de fumaça se formou em frente à sede do Legislativo.

Mais cedo, um grupo de manifestantes ateou fogo em estruturas de lonas que estavam no gramado da Esplanada dos Ministérios. Uma parte dos manifestantes gritava "Sem vandalismo". A polícia não estava no local. As estruturas foram montadas para abertura da Copa das Confederações, no último sábado (15), onde foram instalados telões para os torcedores acompanharem a estreia da seleção brasileira na competição.


Campinas tem protesto contra a corrupção com 20 mil pessoas

Aline Leal/Repórter da Agência brasil

Brasília - Em Campinas, interior de São Paulo, pelo menos 20 mil pessoas foram às ruas para protestar, entre outros temas, contra a corrupção. De acordo com a Polícia Miliar (PM) de São Paulo, a manifestação começou por volta das 15 horas e agora à noite os manifestantes se espalharam nas proximidades da prefeitura da cidade.

De acordo com a PM, no geral o movimento foi pacífico, porém seis pessoas foram detidas por vandalismo.Dois deles foram detidos por carregarem explosivos e duas pessoas foram liberadas.

A polícia não divulgou o efetivo usado para acompanhar a manifestação por motivos de segurança


Em Porto Alegre, grupo depredou lojas e bancos

Sabrina Craide/Repórter da Agência Brasil

Brasília - A manifestação em Porto Alegre, que começou pacificamente no centro da cidade, acabou se dispersando e um grupo começou a depredar bancos, casas lotéricas e lojas na Avenida Azenha. Segundo a Comunicação Social da Brigada Militar, o grupo usou pedras e coquetel molotov para atingir os policiais, que reagiram com bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo.

O protesto reuniu cerca de 15 mil pessoas na capital do Rio Grande do Sul. Segundo a Brigada Militar, algumas pessoas foram presas e ainda há um grupo pequeno em confronto com os policiais.

Outro grupo pacífico está reunido no Largo Zumbi dos Palmares, ponto tradicional de manifestação no centro de Porto Alegre. Sob chuva, os manifestantes apresentavam cartazes com dizeres como "O povo acordou" e "Queremos seriedade, não à impunidade".


Trinta pessoas são detidas por tentarem atirar pedras em prefeito de Belém; protesto começou pacífico

Wellton Máximo/Repórter da Agência Brasil

Brasília – Cerca de 30 pessoas foram detidas em Belém após tentarem invadir a prefeitura e atirar pedras contra o prefeito Zenaldo Coutinho. O incidente ocorreu no momento em que o prefeito descia do gabinete para receber uma comissão de manifestantes.

De acordo com a Polícia Militar (PM), o protesto na cidade reúne 15 mil pessoas e seguiu pacífico até os manifestantes chegarem à prefeitura. Lá, eles tentaram forçar a entrada duas vezes, mas foram impedidos pela Tropa de Choque e pela Guarda Municipal. Segundo a PM, não chegou a haver depredações, e a situação, no momento, está sob controle.


Líderes partidários e presidente em exercício da Câmara apoiam as manifestações

Iolando Lourenço/Repórter da Agência Brasil

Brasília - Líderes partidários e o presidente em exercício da Câmara, deputado André Vargas (PT-PR), manifestaram apoio às manifestações que estão ocorrendo em várias cidades do país. Reunidos no gabinete da presidência da Casa para uma avaliação dos movimentos, os deputados elaboraram uma nota de apoio às manifestações.

“O presidente em exercício da Câmara, André Vargas, e os líderes partidários manifestam o reconhecimento da Câmara em relação às manifestações pacíficas que estão acontecendo nos últimos dias no Brasil. Este movimento da cidadania é legítimo e gera esperanças de um revigoramento republicano”, diz.

Em outro trecho da nota, os parlamentares reafirmam o compromisso do Poder Legislativo com o Estado Democrático de Direito e se colocam à disposição “daqueles que, em nome do movimento e de suas variadas demandas, queiram dialogar”.

O líder do PSDB, deputado Carlos Sampaio (SP), deixou a reunião sem assinar a nota e disse que os manifestantes não esperam do Parlamento uma nota oficial e sim “mais postura e uma pauta propositiva de matérias de interesse do povo”


STJ garante liberdade de manifestação em rodovia que passa por Natal

Débora Zampier/Repórter da Agência Brasil

Brasília - Decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) garantiu o direito de manifestação em Natal, capital do Rio Grande do Norte. A questão chegou ao tribunal por meio do movimento Revolta do Busão, que informava a vontade de se manifestar pacificamente nas marginais da BR-101 nesta quinta-feira (20).

A decisão liminar foi concedida pelo ministro Herman Benjamin, que cassou decisão anterior do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5). Para o ministro, não cabe ao Poder Judiciário impor previamente o emprego da força policial para reprimir a circulação de cidadãos que buscam o legítimo exercício da cidadania para pedir melhorias públicas.

“Em análise sumária, entendo preenchidos os requisitos necessários à concessão da liminar, em razão da flagrante ilegalidade da decisão que impede a livre manifestação pacífica em território nacional, direito fundamental inalienável”, disse o ministro na decisão.

Formado por estudantes universitários e cidadãos em geral, o movimento queria evitar ordens para que a polícia impedisse o direito de locomoção dos manifestantes.


Pesquisador da FGV diz que manifestações nas ruas são “a cara da web”

Flávia Villela/Repórter Agência Brasil

Rio de Janeiro – As manifestações espalhadas pelo país são a representação do mundo digital. Para o pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV), Luiz Antonio Joia, que estuda e-participação (ação política pela rede social) e cidadão mediado por tecnologias, o fenômeno dos protestos brasileiros é algo inédito no país graças à internet e às redes sociais.

“Esse movimento é a cara da web. Ele é anárquico, sem dono e impessoal, que se autorregula e suporta qualquer coisa. É a transposição da World Wide Web [o sistema da internet] para o mundo real. É surpreendente e imprevisível”, ponderou ele.

O professor defende que a rede mudou a concepção de tempo e de espaço das pessoas e as relações sociais, tornando-se um ator no processo de reivindicações. “Você passa a saber tudo o que acontece em tempo real, o que faz com que as pessoas se engajem numa velocidade absurda. A tecnologia não gera o fenômeno, ela o amplifica”, comentou. Ele lembrou do movimento Diretas Já, que demorou cerca de um mês para ser organizado, enquanto o movimento atual, com o que chama de “boca a boca digital”, levou dias para ser orquestrado.

A internet permitiu que vários fatores, como o aumento de preço do ônibus, os gastos do país com a Copa das Confederações, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 37 (que retira poderes de investigação do Ministério Público) e o Projeto da “Cura Gay”, contribuíssem para a união de grupos insatisfeitos com questões diferentes e que hoje saem as ruas. “Os R$ 0,20 foram apenas o que disparou o gatilho, tudo isso mediado pela tecnologia da informação e da comunicação”, explicou.

Se, por um lado, a característica anárquica dos movimentos é surpreendente, a falta de liderança e de pauta do movimento criam uma questão complexa, segundo o professor. “Você pode ter na mesma passeata duas pessoas lutando por coisas totalmente opostas. Diferentemente da Primavera Árabe e de movimentos na Europa, no Brasil não há uma pauta”, lembrou.

De acordo com o pesquisador, esse cenário pode apresentar risco para o movimento. “O perigo da falta de foco é que oportunistas e partidos políticos podem apropriar-se desse movimento. É importante que as pessoas digam o que querem e, sobretudo, como querem, como implantar esse projeto”.

Como acadêmico, Joia se diz entusiasmado com os recentes acontecimentos. “Não dá para prever o que vai acontecer, pode não dar em nada, mas deixará uma semente. São sinais que devemos acompanhar e depois tirar lições que sirvam para nossos alunos e para a sociedade”.



COBERTURA: AGÊNCIA BRASIL